Em 23 de setembro de 2026, a Anthropic anunciou que agentes do seu modelo Claude ajudaram a identificar um sistema enzimático ainda não descrito no DNA de bacteriófagos (vírus que infectam bactérias). O sistema tem uma sequência repetitiva que lembra o CRISPR, a famosa ferramenta de edição genética.
Como a descoberta aconteceu
- Os agentes receberam a tarefa de procurar novos sistemas de transcriptase reversa em um banco de dados com 1,9 bilhão de agrupamentos de proteínas.
- A busca rodou por 21,5 horas sem intervenção humana, em 949 sessões de agentes.
- Eles recuperaram cerca de 200 mil agrupamentos de enzimas e geraram 19 relatórios para revisão humana.
- A descoberta veio de um “desvio”: um agente notou um padrão repetido no DNA e foi checar se ele já era conhecido.
O sistema foi batizado de ART (transcriptases reversas associadas a arranjos). O trabalho de laboratório foi feito por cientistas humanos.
As ressalvas importantes
- O estudo é um preprint, ou seja, ainda não passou por revisão de outros cientistas.
- Ainda não se sabe o que o sistema faz nem se a enzima está ativa.
- Em 10 novas execuções da mesma busca, os agentes não encontraram o sistema de novo, o que mostra que o resultado é difícil de reproduzir.
Mesmo assim, o biólogo Feng Zhang (MIT e Broad Institute), um dos pioneiros do CRISPR, revisou o preprint e chamou a descoberta de “genuinamente intrigante”.
Minha opinião: acho fascinante ver a IA trabalhando como uma “assistente de pesquisa” incansável. Mas gosto que a própria empresa tenha deixado claras as limitações: descoberta científica de verdade ainda depende de validação humana.